O Yoga e a corrida

Esta é uma frase de Sri K. Pattabhi Jois, pai do Ashtanga yoga, ou yoga dos oito membros (em sânscrito, ashta=oito, anga=membro), seguindo os oito passos que conduzem o yogi ao estado de contemplação – samadhi – e descritos pelo sábio Patanjali no seu Yoga Sutra:

  1. Yama: código de conduta moral e ético
  2. Niyama: auto-disciplina
  3. Asana: posturas
  4. Pranayama: controlo da respiração
  5. Pratyahara: controlo dos sentidos
  6. Dharana: concentração
  7. Dhyana: meditação
  8. Samadhi: estado de contemplação, meditação plena

Na essência, estes oito passos representam linhas orientadoras ética, moral e de auto-disciplina que garantem a união perfeita entre o corpo, a mente e o espírito e levam a uma vida com significado e propósito…

Confuso? Sim, a história e complexidade do yoga em geral, e das várias formas de prática modernas em particular, levam algum tempo a explicar e assimilar, e por isso ficam para outra altura. No entanto, e dada a popularidade cada vez maior do yoga entre os corredores, lembrei-me de trazer este tópico à baila e explicar porque é que, para mim, o (ashtanga) yoga e a corrida têm tantos aspectos semelhantes e complementares, ultrapassando largamente a mera, ainda que importante, componente física.

É certo que a prática de certos asanas proporciona um óptimo alongamento e ajuda a que os músculos não fiquem tão rígidos em resultado da prática continuada da corrida. Mas quanto mais penso na minha preparação para a maratona, mais encontro paralelos entre o yoga e a corrida, principalmente em distâncias longas: sem auto-disciplina (niyama), treinos regulares (asana), bom controlo da respiração (pranayama), grande concentração (dharana) e, lá para o quilómetro 30, muita meditação (dhyana), não se corta a meta – o samadhi de qualquer corredor!

Veio isto a propósito do meu treino de hoje. Por ser dia de descanso da corrida, foi dedicado ao yoga, a minha forma preferida de “cross training”.

Num próximo post explico um bocadinho melhor o que é isto do ashtanga e porque é que é tão viciante. Por agora, deixo-vos uma outra máxima do guruji (como era carinhosamente tratado Pattabhi Jois), e que eu sigo à letra todas as manhãs: “No coffee, no prana*”

Namaste!

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(*prana = energia vital)