Dias de prova: the unspoken rules

Eu também sou das que acha que os dias de prova são uma festa. É um bom dia para estar com os amigos, para ver caras novas, para dar trabalho ao coração, para pôr a conversa em dia, enfim, para um mundo de coisas. A questão é que em algumas provas parecem só servir para isso e não tanto para correr! Se não, vejamos: eu percebo que se goste de correr acompanhado e se aproveite para saber das novidades da vizinha do 3ºC… A mim, quando estou a correr, custa-me até a pensar quanto mais a falar! Mas tudo bem, depende de cada um. A questão é que, enquanto se está no paleio, está-se também a formar um muro que impede os desgraçados que vêm atrás de passar! Duas, três ou quatro pessoas lado-a-lado, atrapalham muito quem quer passar e tem que ir dar uma volta ao bilhar grande para conseguir avançar!

Outro fenómeno interessante são os não-corredores assumidos. Aqueles que vão para as provas para não-correr porque preferem fazer as distâncias a caminhar. Possivelmente pagaram exatamente o mesmo pela corrida que a lebre que faz os 10k em 40 minutos, e têm por isso toda a legitimidade para escolherem de onde querem partir, mas será que há a necessidade de arrancarem das filas da frente, ou até mesmo do meio do pelotão, quando sabem que irão chegar atrás de quase todos os participantes?! E nem estou a questionar o porquê da inscrição em corrida em vez de caminhada.

running-etiquette

Tudo isto para dizer que há algumas regras de “etiqueta” entre corredores que facilitam a vida a todos nós, dos mais lentinhos que só querem chegar ao fim cruzando a meta, de preferência sem ser à boleia da ambulância de serviço, aos mais rápidos. Ficam aqui algumas:

  1. Deve assumir-se uma posição de partida coincidente com a nossa performance.

Corredores mais lentos e caminhantes devem ir para a cauda da partida. Não é porque chegamos mais cedo que devemos partir à frente.

  1. Não correr ou andar com mais do que um parceiro.

Duas pessoas não provocam um bloqueio intransponível. Mais do que isso é suficiente para encanzinar o fluxo da malta que vem atrás, principalmente se o par for lento e tiver partido nas primeiras posições.

  1. Não andar aos ziguezagues no percurso.

É o suficiente para se ser abalroado por alguém que venha mais rápido e que parta do princípio lógico que, em se podendo, se corre em linha recta.

  1. Tal como na estrada, também nas corridas se deve deixar a ala esquerda livre para os mais rápidos.

Deve evitar-se bloquear essa zona de passagem dos corredores mais rápidos, sendo que a ala da direita também deve estar desimpedida para caso de emergência. Sobra então a faixa central/direita do percurso. Se alguém atrás de nós nos avisa que vai passar devemos, seguindo esta lógica, dar espaço para que possa avançar. O mesmo princípio se aplica para quem nos toca no braço, porque percebe que estamos de headphones.

  1. Se por algum motivo for preciso parar, deve-se fazê-lo fora da via principal.

Caso seja necessário atacar uma sapatilha, assoar o nariz ou atender um telefonema (?!), o mais indicado é sair do trajecto principal e ir para uma das vias laterais;

  1. Não atrapalhar nos abastecimentos.

Se não fazemos intenção de recolher uma garrafa de água ou uma embalagem de gel, então o melhor é desempedir as zonas junto dessas estações. Já agora, ao atirar a garrafa fora deve-se fazê-lo sem interferir com os outros corredores e a garrafa deve estar sem tampa.

  1. Não parar na zona da meta!

Esta parece óbvia mas aparentemente não é. Sim é verdade que é lá que nos entregam a água, a maçã, a medalha, as chaves para o time share do Algarve, os recibos do Continente e os vales de desconto da perfumaria, mas a ideia é continuar sempre a seguir caminho. Para além de lógico é também uma daquelas regras da física que diz que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço. Se estão à espera do amigo, combinem um ponto de encontro antes do início da prova.

  1. Não desligar do mundo.

Correr com música é das coisas mais comuns mas pode ser perigoso, por isso convém ter a banda sonora num volume que nos permita aperceber das indicações que as pessoas à nossa volta nos vão dando.

  1. Don’t be a hero nor a martyr.

O corredores amadores, são-no porque “amam” correr, por isso não faz sentido ir além do limite do sofrimento porque pode não haver retorno. Se o corpo está a dar sinal para abrandar ou parar, o melhor é ouvi-lo.

  1. Uhm… aceitam-se sugestões!