Mas duas maratonas porquê?! Uma não chegava?

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Chegava, claro, mas quem me conhece sabe que às vezes sou dada a exageros…
Vou começar pelo óbvio: correr duas maratonas com o intervalo de duas semanas não é das ideias mais brilhantes, particularmente se é a primeira vez que se corre este tipo de distância. O tempo de recuperação é curto e a falta de experiência não ajuda. Mas como vão perceber, tive as minhas razões, e não podia estar mais satisfeita com o resultado (ou podia, se tivesse conseguido correr em 4h15, como era o meu objectivo, mas essas são outras contas).

Quando me inscrevi na maratona de Amesterdão, depois de ter já feito a inscrição na de Lisboa, o principal motivo foi ter um plano B. Por estar a viver na Holanda e ter que viajar de propósito para a corrida, fiquei com receio que problemas com a viagem (greves, voos perdidos…) pusessem em causa o trabalho dos últimos meses. Caramba, não queria andar a suar as estopinhas para depois deitar tudo a perder! Portanto, com a maratona de Amesterdão apenas duas semanas depois da de Lisboa o problema ficava resolvido e em termos de treinos não teria que fazer grandes mudanças.

Por outro lado, com a inscrição na maratona de Amesterdão tinha também acesso a 4 treinos de grupo – para distâncias entre 20 e 30 km – devidamente organizados, com abastecimentos a cada 6kms e, mais importante ainda, com a companhia de quem percebe destas coisas e já corre maratonas há muitos anos. Para quem, como eu, treina sozinha, as corridas longas são um dos maiores desafios. Sobre estes treinos de grupo falarei mais tarde, mas posso dizer que foram uma ajuda gigante no processos de preparação física e, mais ainda, mental. Decisão sensata, portanto!

A última razão, menos prática e mais emocional, tem a ver com o facto de querer que a minha primeira maratona fosse corrida “em casa”. Afinal de contas, é um marco importante! Ora, se é verdade que vou associar sempre Portugal a casa, e por isso a escolha de Lisboa era para mim mais do que óbvia, não é menos verdade que me sinto muito confortável na Holanda e não me vejo a sair daqui nos próximos tempos. Diz-se que casa é onde está o coração e o meu está, claramente, repartido por estes dois países. Escolha impossível…

E assim, acabei por correr as duas maratonas, com o coração cheio, com o apoio das pessoas mais importantes, e a sentir-me realmente em casa. Tenho para mim que não há melhor antídoto para o cansaço e a dor de pernas!


But why two marathons?! Wasn’t one enough?

Well, yes. But those who know me also know that I can go a bit overboard sometimes.
I’ll start with the obvious: running two marathons two weeks apart is not the brightest idea, especially if it’s your first time running this type of distance. There isn’t a lot of time for recovery and the lack of experience doesn’t help at all. But as you’ll see, I had my reasons and couldn’t be happier with the result (well, I could, if I had ran in 4h15 as planned, but that’s another story).

When I registered for the Amsterdam marathon, after having registered for the Lisbon one, the main reason was to have a plan B. You see, because I’m living in Holland and would be travelling to Lisbon on purpose for the race, I was afraid that something could happen (airport strikes, a lost flight…) that would keep me from running, and make all those months of training go to waste. I couldn’t have that! So, with the Amsterdam marathon only two weeks after the one in Lisbon, the problem would be solved and I wouldn’t even have to make any adjustments to the training plan.

Another good thing was the fact that I would get access to the 4 marathon training sessions in Amsterdam – long runs of 20 to 30 kms – properly organised, with stops for fuel and water at every 6 kms and, more importantly, with the support of people who know about these things and have been running marathons for quite some time. For someone like me who runs alone most of the time, long runs can be quite a challenge. I’ll talk a bit more about this in another post, but these group trainings were a huge help in terms of both physical and mental preparation. Big thumbs up!

The last reason, which was more of an emotional one, had to do with the fact that I really wanted my first marathon to be a “home” one. It is an important occasion, after all! Now, while it’s true that I will always think of Portugal as being home, it’s also true that I feel really comfortable and happy in Holland. They say home is where your heart is, and my heart is in both these places, so how could I possibly choose?

That’s how I ended up running the two marathons, with a full heart, the company of people who matter most and really feeling at home. I can’t think of a better antidote for tiredness and leg pain…