Maratona de Roterdão: semana 2

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Começo com a constatação de um facto: voltar a correr depois de uma paragem custa muito! Já passei por isto algumas vezes e a sensação é sempre a mesma: o espanto de saber que já consegui correr duas maratonas e no entanto ter dificuldade em chegar inteira ao fim de uma corridinha de 5 km. Quando é que estas pernas se tornaram tão pesadas e preguiçosas?! Na realidade, a resposta a esta pergunta é bastante simples. Foi durante aqueles três meses passados com o rabo alapado na cadeira, sem grande exercício (valha-me o meu principal meio de transporte ser a bicicleta) e a comer mais e pior do que devia. Mas adiante…

Se a primeira semana de treino foi bem sucedida, a segunda foi ligeiramente pior e acabei por falhar um treino. O eterno desafio de equilibrar trabalho, vida pessoal e tempo (e motivação) para correr, esteve bem presente. E frio, esteve muito frio!!

Correr com calor é difícil e requer alguns cuidados, especialmente em relação à hidratação. Mas correr com frio (que é obviamente um conceito relativo, mas para mim significa temperaturas abaixo de 0ºC) tem algumas particularidades que eu ainda não conhecia bem. Em primeiro lugar, a roupa que é preciso usar. Tenho-me cruzado com uns bravos que correm em t-shirt e calções (como?!… e porquê?!) mas no meu caso são precisas várias camadas de tecido sobre o corpinho para não congelar. Depois, a dificuldade em respirar, principalmente se ao frio se juntar um ventinho desagradável. Nestas alturas começo também a chorar copiosamente, não porque esteja especialmente feliz ou infeliz, mas porque os meus olhos se sentem agredidos, e com muita razão. Não é um espectáculo bonito de se ver. Por último, quando está corre-se mais devagar e isso chateia. Significa ter que correr mais tempo e, portanto, mais tempo passado… ao frio.

Dei-me ao trabalho de procurar alguma informação sobre o assunto e de facto não sou só eu que me sinto uma tartaruga quando corro no Inverno. Ao que parece, há uma temperatura ideal para garantir uma boa performance em corrida e quanto maior a distância, mais baixa a temperatura recomendada. No caso da maratona, uma temperatura ligeiramente abaixo dos 10ºC é considerada a ideal (um estudo recente aqui, para quem se interessar por detalhes). Se tudo correr bem, é esta a temperatura que teremos por estes lados no início de Abril.

Entretanto, caso precisem de ideias para tornar os treinos nesta altura do ano menos desagradáveis e difíceis, estes senhores têm algumas sugestões.

Finalmente, aqui está o balanço da segunda semana de treinos:

Dia Objectivo Distância Tempo Passada
seg. (16/01) descanso
ter. (17/01) 5 km lento
7:17 min/km
5.1 km 0:28:56  5:36 min/km
qua. (18/01) descanso
qui. (19/01) descanso
sex. (20/01) descanso
sab. (21/01) 8 km fortalecimento
6:10 – 5:30 min/km
10.1 km 0:57:47  5:42 min/km
dom. (22/01) 12 km confortável
6:43 – 6:09 min/km
13.3 km 1:19:11 5:55 min/km
Total: semana 2 28.5 km
Total cumulativo 60.7 km



Rotterdam marathon: week 2

Let’s begin with the statement of a fact: going back to running after a break is always difficult! I have been through this a few times before and the feeling is always the same: the surprise of knowing that I was able to run long distances (two marathons not too long ago), and yet struggling with a little 5 km jog. When did these legs become so heavy and lazy? The answer is actually quite simple. It was during those three months spent with my bottom stuck to a chair, not doing much in the way of exercise (luckily I cycle everyday), and eating more and worse than I should. But moving on…

While last week’s training was a reasonable success, this second week was a little more disappointing, and I ended up missing one of the scheduled runs. The challenge of balancing work, personal life, and time (and motivation) to run was very much present. And cold, it was so cold!

Running in hot weather is difficult and requires some attention, especially when it comes to hydration. But running in the cold (which, of course, is a relative concept but for me means temperatures lower than 0 ºC) brings some challenges that I was not very familiar with until now. First, there’s the clothing. I’ve seen a few brave runners in shorts and t-shirts (how?!… and why?!) but in many case, several layers of fabric are required to keep me from freezing. Then there’s the difficulty in  breathing, especially if the cold is accompanied by some nasty wind. This is also when I tend to start crying profusely, not because I’m feeling particularly miserable or happy, but because my eyes feel attacked, and with good reason. Lastly, I run slower in the cold and that’s annoying. It means having to run for longer and therefore, more time spent in the cold. Not good!

I went looking for some information about this and it turns out I’m not the only one complaining about slow running in the winter. Apparently there is an ideal temperature to ensure the best running performance, and the longer the distance the lower the recommended temperature. In the case of marathons, temperatures slightly below 10ºC appear to be ideal (a recent study here, for anyone interested in the details). Good to know! If all goes well, this will be the type of temperatures in Rotterdam in April. 

In the meantime, if you are in need of ideas to deal with the cold and trying to make training in this time of year a little more enjoyable, here are some suggestions.

Finally, the result of the second week of training:

Day Goal Distance Time Pace
Mon. (16/01) rest
Tue. (17/01) 5 km jog
7:17 min/km
5.1 km 0:28:56  5:36 min/km
Wed. (18/01) rest
Thu. (19/01) rest
Fri. (20/01) rest
Sat. (21/01) 8 km build-up
6:10 – 5:30 min/km
10.1 km 0:57:47  5:42 min/km
Sun. (22/01) 12 km comfortable
6:43 – 6:09 min/km
13.3 km 1:19:11 5:55 min/km
Total: week 2 28.5 km
Overall total 60.7 km