Sobre nós

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Partilhamos cerca de 50% da nossa informação genética e isso resume-nos na perfeição: se há aspectos da nossa vida em que parecemos uma única pessoa, há outros em que estamos em lados opostos da barricada. Aqui, vamos correndo lado a lado.

Cris

Se quisermos ser literais diria que comecei a correr por volta de 1988 para fugir da minha irmã depois de lhe ter roubado a cassete de New Kids on the Block (ah… doce sabor da vingança) mas na verdade o fenómeno (e é mesmo um fenómeno) só se deu algumas décadas mais tarde, em 2013, já com uns provectos 32 anos, e em dois momentos diferentes. Umas semanas depois da minha filha ter nascido a minha barriga ficou a parecer um balão meio vazio, como é normal. Pouco normal foi a explosão hormonal que me levou a comprar umas sapatilhas. Dei-lhes uns quantos passeios, mas pouco mais. Afinal, anos de natação e pólo aquático fizeram de mim uma pessoa avessa a ambientes que não cheirassem a cloro. O segundo momento aconteceu no primeiro dia de creche da criança. Sabia que as duas horas do primeiro dia de escolinha seriam uma espécie de tortura por isso pensei em arranjar algo que fosse quase tão mau: “vou correr enquanto espero que sejam horas de a ir buscar!”. Corri dois quilómetros e meio. Parei e agarrei-me em sofrimento à primeira coisa que me apareceu à frente, que por acaso era um caixote do lixo. Uma imagem de vigor e saúde, portanto! Enquanto me arrastava com a rapidez possível para chegar a horas ao berçário tomei “a” decisão: tinha de fazer alguma coisa para não virar uma alforreca. Inscrevi-me, com o Pai da criança, na primeira prova que me apareceu à frente. Um mês depois, fiz sete quilómetros em “apenas” uma hora e vinte e achei-me o máximo. Desde aí, a corrida tem estado presente na nossa vida, seja para aumentar distâncias, melhorar tempos, adequar a alimentação aos treinos, ultrapassar os dias em que a artrite reumatóide resolve dizer “presente”, trabalhar na auto-estima, gerir o bocadinho de vida pessoal que resta entre família, casa, cão e trabalho… e tem sido uma loucura! Uma loucura daquelas boas, mas uma loucura.

Felizmente a nossa família é uma espécie de sucursal do Sobral Cid (o pessoal de Coimbra sabe do que estou a falar) e alinhamos nas loucuras uns dos outros. Daí, que mesmo que à distância, tenha a companhia da minha irmã, que já vai um bocado mais à frente nesta coisa da vida saudável, e de quem continuo a levar coças valentes… mas só nas distâncias e tempos!

M

Verdade seja dita, tenho uma relação difícil com a corrida. Não se pode dizer que goste realmente de correr, mas adoro a sensação de constante superação que a corrida proporciona. Já era assim em miúda, quando participava em provas de corta-mato (aquilo a que hoje chamamos trail) e o meu espírito competitivo se começou a revelar. Também treinei muito com a minha irmã, ora a fugir, ora a correr atrás dela, mas aí as motivações eram outras e tinham geralmente a ver com a partilha, relutante, de roupa e afins. Décadas mais tarde, e já longe de Portugal, cedendo à pressão de colegas e para aproveitar os longos dias de verão do norte da Europa, comecei a correr depois do trabalho. Escusado será dizer que os primeiros quilómetros me custaram tanto que depois da primeira tentativa jurei que não me apanhavam noutra. Mas desafiaram-me e, passados 3 meses, corri os meus primeiros 10 km. Fosse pelo ambiente fantástico da prova, com milhares de participantes e espectadores, fosse pela surpresa de ter chegado ao fim e feito um bom tempo (lá está, a competição…), a verdade é que adorei a experiência e passei a ver a corrida com outros olhos. Estávamos em 2013 e desde então comecei a traçar novos objetivos: melhores tempos, maiores distâncias. Sem me aperceber, correr passou a ocupar um lugar especial na minha vida.

Sendo uma pessoa pouco disciplinada por natureza, partilhar o vício da corrida com a minha irmã, mesmo que a 2000 e tal quilómetros de distância, é a melhor motivação para correr mais e melhor (afinal, ninguém gosta de perder para a irmã mais nova). Tem sido também um grande incentivo para explorar e partilhar as outras paixões – yoga e cozinha vegetariana – que inevitavelmente influenciam a minha forma de estar na corrida e na vida.